24 de novembro de 2017
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Um novo jogo para moda


Imagem: Shutterstock

Muito se fala hoje sobre reinvenção do varejo, Millennials e novos hábitos de consumo. A moda, com a sua eterna vocação para se reinventar e interpretar fenômenos culturais, patina para entender um novo mundo onde os desejos mudaram. 



Uma influenciadora pode ter cinco vezes mais engajamento em um único post do que toda a tiragem mensal da maior revista de moda do país. Porém, ainda assim, as revistas seguem relevantes para criar marcas sólidas e parcerias no mundo offline.


A sazonalidade da moda, tão discutida nos últimos anos, é algo que vai seguir em pauta. Quanto mais veloz a informação de moda, maior o desejo imediato de consumo. Técnicas que mesclam desejo com acesso imediato vêm sendo utilizadas pelos players que dominam hoje os mercados e feeds de notícias, como Supreme e Gucci. No e-commerce internacional Farfetch, uma encomenda da Gucci chega em apenas 90 minutos, enquanto a Supreme apresenta lançamentos em edição limitada todas as quintas-feiras em suas lojas físicas, causando filas de dobrar o quarteirão.



O mais interessante do novo momento é a importância do crossbranding. O que isso significa? A influenciadora, para ser relevante, precisa sair na revista. A revista, para ganhar audiência, precisa da influenciadora. As marcas de streetstyle usam o luxo e o luxo usa as ruas. O ritmo acelerado gera novas demandas de informação em novas plataformas e tudo é imediatista e urgente.


Uma das maiores preocupações do setor são as lojas de varejo. Com a oferta de moda global na ponta dos dedos, o deslocamento ao centro de compras deve ser motivado por atividades e experiências, e, mesmo assim, lojas vazias no mundo inteiro fazem o setor repensar estratégias na velocidade que os tempo atuais pedem.



Nesse cenário, há um grupo de jovens que devemos prestar atenção: os nascidos entre 1995 e 2000. Muito jovens e completamente digitais, os “late Millennials” ou Geração Y são comunicadores de proporções colossais. Eles usam com afinco redes como Youtube e Instagram – desde muito cedo – comunicando-se diariamente com milhões de brasileiros. Ao invés de uma voz onipresente para as crianças, como tínhamos a apresentadora Xuxa nos anos 80 e 90, hoje milhares de Youtubers conversam com os seus diferentes nichos. Preste atenção em como as crianças utilizam a plataforma de vídeos e irá entender. São as vozes que educam a nova geração. 



Com grande faturamento e agenda repleta de viagens, muitos influenciadores jovens não valorizam o curso superior e isso é um fator preocupante pela qualidade do conteúdo propagado para a geração que representa o futuro do Brasil. 



Como a universidade se encaixa nessas agendas? Como estimular os jovens a embarcarem em um curso superior se os seus ídolos não valorizam o curso superior? É uma questão para refletir e atuar já, pois nesse momento estamos desenhando o futuro do país e educação é o fator da transformação que todos precisamos.

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