28 de dezembro de 2015
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Tendências em Economia Criativa

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Ao investigar o futuro, John Howkins nos traz as 10 tendências que considera mais relevantes para a Economia Criativa nos próximos anos.

por Andréa Ciaffone

John Howkins desenvolveu reflexões que podem ser agrupadas em três grandes blocos: Contexto, Negócios e Ambição.

Contexto
Dentro da vertical de Contexto, o consultor britânico explica o próximo estágio da globalização, que será conduzido pela curiosidade das pessoas e pela capacidade de conquistar a atenção. A curiosidade vai estar no topo da cadeia de valor e será ela que posicionará marcas e gerará as vendas.

A Urbanização é outro ponto destacado por Howkins. Ele acredita que no futuro as grandes metrópoles serão a base da economia e que tornarão ainda mais clara a importância da Diversidade, que é outra das forças que ele enumera. “A diversidade – de origem, étnica, sexual, cultural, de opinião — é importante, sempre desejável e nunca é demais. Em um mundo baseado na criatividade, a diversidade é um ingrediente fundamental”, afima.

O consultor diz que em um contexto econômico de crise, com indicadores que apontam baixo crescimento econômico, desemprego crescente e desigualdades sociais profundas, a inovação e a criatividade são cada vez mais importantes.

Embora o investimento em Educação, que é a base para a Economia Criativa, ainda precise ser maior, os governos têm se beneficiado crescentemente dos resultados dos criativos. De acordo com o McKinsey Global Institute, o setor vem evoluindo significativamente. No Ocidente, em 1999, o setor era responsável por 17% da economia. Em 2014, a participação dos criativos saltou para 31% da economia em valor. “Por isso é importante ter em mente que minhas ideias são meus ativos”, reforça Howkins.

“O próximo estágio da globalização será conduzido pela curiosidade, que estará no topo da cadeia de valor. Será a capacidade de despertar o interesse das pessoas que impulsionará as vendas e não o contrário”, disse ele ao defender a diversidade étnica e cultural.

Negócios
1. Economia criativa se baseia na expressão pessoal porque criatividade é pessoal e imprecisa. As empresas que permitem espaço para a criatividade e imprecisão são as que florescem. Para o profissional, no entanto, torna-se fundamental saber negociar bem o seu contrato. Deixar claro de quem veio a ideia e o valor que cada uma tem.

2. Círculos de emoção são as novas fontes de valor. Quando estamos falando de bens tangíveis, tudo se relaciona com a posse deles. Quando se trata de ideias, narrativas, formas, cores e design, a questão fica diferente. O que realmente vale é a capacidade de envolver as pessoas.

3. Mais erros. Errar, fracassar, falhar não é agradável, não é bom. Mas é necessário. Erramos o tempo todo. E faz parte do processo criativo. Vivemos em um era em que a mudança é rápida e que tudo é muito volátil. Nesse ponto vale a pena pensar que existem dois parâmetros: um é você mesmo e o outro é o mercado. Você pode ser um juiz bem duro do seu trabalho e sempre se preocupar se o que você faz é o melhor que pode fazer. Mas o mercado é ainda mais duro e é nesse ambiente que é preciso se perguntar se o que você quer fazer é o que os outros querem.

4. Adeus hierarquias e olá ecologias! As coisas mudaram no mercado. No passado, as empresas eram caixas fechadas, em que as pessoas trabalhavam a vida toda no mesmo local e horário. Nessas empresas, a motivação era sempre fazer mais dentro da mentalidade de que mais é melhor. Cada vez mais nos dias de hoje e certamente no futuro, o cenário será bem diferente. As empresas serão abertas, o trabalho será feito por contrato e as pessoas trabalharão em um projeto na medida em que puderem contribuir para ele. A produtividade será no sentido de fazer melhor e não simplesmente mais.

5. Vamos compartilhar! Ou não. O século XX se caracterizou por autores individuais, inventores individuais. Hoje, o sucesso vem sempre para times que conseguem realizar coisas mais rápido, mais barato e melhor do que um indivíduo conseguiria. Hoje, as empresas que vem conseguindo melhor valorização são as que aproximam as pessoas como Facebook, WhatsApp, Uber, AirBNB.

6. Big data. Dados ajudam a produzir conhecimento e isso ajuda a posicionar produtos com mais precisão, mas traz mais burocracia e nos torna mais dependentes dos dados.

7. Fim da repetição. Dentre os novos postos de trabalho que estão sendo criados nas economias líderes, a maioria é criativo. Empregos físicos, baseados em rotinas e repetição estão em declínio – tanto porque não agregam valor às empresas como também porque não são atraentes para quem está no mercado de trabalho.

8. Previsão. Hoje, faz cada vez mais sentido investir em prever os resultados de um produto de economia criativa do que em promovê-lo publicitariamente.

9. Mobile. O crescimento do papel dos celulares na vida das pessoas traz enormes oportunidades para criativos nas mais diversas áreas e especialmente em webdesign. Mais imagens e menos texto. As pessoas estão mais interessadas em imagens.

10. Mais facilidade. As pessoas querem pagar pelo o que consideram fácil e conveniente. É preciso estar sintonizado com isso para criar produtos ou serviços bem sucedidos.

Ambição
A Economia Criativa é o primeira forma de economia que se baseia em pessoas e seus sonhos, que leva em conta o desejo das pessoas de viverem em um mundo melhor, em serem mais felizes. Não importa de onde vem as suas ideias, o importante é o que você faz com elas em um mundo cada vez mais diversificado e inclusivo.

Os governos nacionais estão perdendo espaço para as iniciativas municipais capazes de mudar os espaços públicos e atrair as pessoas mais criativas e capazes para viver nestas cidades. Isso faz com que, de forma geral, os governos se tornem seguidores e não líderes.

Existe uma grande diferença entre trabalho e emprego. Trabalho é algo se que faz para satisfazer um desejo ou um interesse pessoal. Emprego é quando você coloca sua capacidade a serviço de outra pessoa. Em economias tradicionais as duas coisas eram a mesma coisa. Hoje isso mudou. As pessoas buscam satisfação a partir dos seu trabalho e, se possível, juntar o prazer do trabalho com a necessidade de ganhar dinheiro para viver.

A boa notícia é que os líderes da economia, os investidores, percebem com muita precisão o potencial da economia criativa. O que muitos criativos ainda não perceberam é que eles não precisam necessariamente de investidores para gerar riqueza. Talvez leve uma geração ainda para que as pessoas percebam que seu talento e habilidades podem gerar o que precisam para viver e terem conforto. Mas essa percepção deve se desenvolver a partir das novas formas de trabalho independente, colaborativo e da distribuição facilitada dos bens criativos.

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