8 de dezembro de 2015
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Talentos desperdiçados, educação fragilizada

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Índices apontam a triste realidade educacional no País. Para a economia criativa é um atraso

Por Alberto Hiar para Istoé Dinheiro

Falar em economia criativa está diretamente relacionado à produtividade e talentos. Talentos que nascem com o dom natural e talentos que se desenvolvem. Mas para ambos, a educação é primordial. Em um país como o Brasil, o baixo investimento em educação reflete a nossa irrisória participação na economia criativa mundial. Conforme dito em artigos anteriores, não estamos nem entre as vinte maiores economias mundiais do setor criativo, que tem na linha de frente países como Estados Unidos e Alemanha.

Enquanto que a OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, recomenda que o mínimo é destinar 6,23% do PIB à educação, no Brasil esse percentual se aproxima de 5% e, ainda, com qual qualidade? De acordo com o resultado do Enem do ano passado, mais de um milhão de alunos tiraram nota zero em redação, o que expôs a fragilidade do ensino médio brasileiro.

Também a fragilidade está presente na educação básica. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, em uma escala de 0 a 10, o Brasil nunca ultrapassou a nota 4. Como resultado, amargamos uma triste realidade: estamos entre os dez países do mundo que concentram a maior parte do número de analfabetos junto à China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Etiópia e Egito, segundo o 11° Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos.

E quando o assunto é analfabetos funcionais – pessoas que sabem ler, mas não conseguem interpretar um texto –, as estatísticas também são alarmantes: mais de 35 milhões de adultos são analfabetos funcionais, cerca de 20% da população brasileira com idade entre 15 a 49 anos, sendo que nas universidades esse percentual é ainda maior: 38% dos alunos, segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF) do Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa.

Para reverter este cenário, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), do Ministério da Educação e Cultura, é elevar os investimentos em educação em 10% até o ano de 2020. Mas novamente, fica a questão: com qual qualidade? É sabido que no Brasil o modelo educacional não evoluiu, ainda é do século XIX, baseado em livros e professores do século XX, com quase nenhum uso da tecnologia, enquanto os alunos estão um passo adiante, em pleno século XXI, conectados com toda a tecnologia que permite computadores, tablets e smartphones.

Fica o desafio em estimular a educação de uma forma atraente aos alunos para que eles despertem seus talentos, a criatividade, e formem a nova geração da economia criativa. Caso o contrário, continuaremos (mais uma vez) atrasados, amargando estatísticas que nos colocam longe dos primeiros lugares nos ranking, desperdiçando a oportunidade de fomentar a economia criativa no Brasil.

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