7 de junho de 2016
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Steven Pedigo, diretor do Creative Class Group, conta detalhes da parceria com a Belas Artes

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O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo que já tem como mentor criativo John Howkins, consultor britânico, referência mundial no estudo da economia criativa e o primeiro autor de um livro sobre o tema, o “Economia Criativa: Como ganhar dinheiro com ideias criativas” , agora também fechou parceria de colaboração contínua com o Creative Class Group, consultoria criada por Richard Florida, outra grande referência mundial no assunto e um dos maiores intelectuais nas áreas de competitividade econômica, tendências demográficas e inovação cultural.

Trata-se de um Think Tank global especialista em questões urbanas, cidades e grupos criativos, composto por pesquisadores, acadêmicos, líderes e estrategistas. O Creative Class Group fornece uma análise de ponta das tendências econômicas e demográficas para as cidades e grandes empresas em todo o mundo.

Steven Pedigo, diretor de Pesquisa e Cidades do Grupo, acaba de chegar ao Brasil, onde terá uma programação intensa com a Belas Artes e o Observatório aproveitou para conversar com o norte-americano para saber detalhes de toda essa parceria com a instituição e também conhecer suas primeiras impressões sobre o Brasil no campo da economia criativa.

Como foi definida a parceria entre Belas Artes e Creative Class?
Tive o convite para falar na 1ª edição do Fórum de Economia Criativa, organizado pela Belas Artes, em setembro de 2015. Fiquei muito impressionado com a Escola, a sua missão e desejo de ajudar a desenvolver a economia criativa em São Paulo e no Brasil. Quando eu voltei para Nova York, sabia que queria desenvolver um projeto contínuo com a instituição para ajudá-la com os seus esforços, mas também para melhor entender a dinâmica e o ecossistema de uma economia criativa emergente em um país como o Brasil.

O que estimulou a Creative Class para fechar essa parceria?
Como diretor de pesquisa e cidades do Creative Class, eu estava animado com a oportunidade de ajudar a Belas Artes a definir uma agenda de pesquisa e engajamento para o Observatório de Economia Criativa. Através da nossa investigação e parceria, espero que possamos entender melhor as vantagens competitivas criativas em São Paulo e no Brasil. Mas de início, já posso dizer que nós precisamos, absolutamente, de mais escolas como a Belas Artes para assumir estas iniciativas.

Quais são os planos futuros de parceria?
Nós estamos com muitos projetos juntos. Em primeiro lugar, vamos desenvolver uma série de pesquisas e insights relacionados com a economia criativa que serão apresentados em artigos no Observatório. Em segundo, sob minha direção, os alunos Belas Artes estão trabalhando em um estudo abrangente das indústrias e setores criativos de São Paulo: tecnologia, artes, cultura, arquitetura, design, ciência e vários outros. A nossa proposta é liberar os resultados deste estudo na 2ª edição do Fórum de Economia Criativa, que acontece em setembro. E, por fim, estamos desenvolvendo uma disciplina para todos os cursos de pós-graduação sobre cidades criativas. O nosso objetivo é educar os alunos da Belas Artes sobre o que é necessário para reforçar as comunidades criativas e garantir que elas prosperem no futuro.

Em relação ao estudo, cuja metodologia será aplicada, qual o objetivo? Qual a expectativa e que previsões este estudo trará para o futuro da Economia Criativa em São Paulo?
A nossa proposta é entender melhor as vantagens competitivas, as oportunidades e desafios associados com a economia criativa em São Paulo. Além de olhar para indicadores deste setor, estamos desenvolvendo perfis qualitativos dessas indústrias. O nosso foco é definir melhor o “mercado” de economia criativa na capital paulista e entender o que é necessário para apoiar um caminho para o crescimento da área.

O Brasil foi avaliado pelo Índice de Criatividade Global e está em 29º lugar no ranking geral, sendo 27º em tecnologia, 68º em talento e 15º em tolerância. O que de informação a mais esse estudo em parceria com a Belas Artes vai trazer? E essas informações captadas serão levadas em conta no próximo Índice de Criatividade Global?
Olhando para o Índice de Criatividade Global, o Brasil tem muito espaço para melhorias. Por muito tempo, a economia do Brasil tem sido impulsionada pela produção dos recursos naturais e, muitas vezes, o país não fez com que os investimentos em tecnologia e capital humano fossem necessários para o crescimento da economia criativa. Nossa esperança é que a nossa pesquisa descubra ativos e oportunidades para o desenvolvimento do setor criativo no Brasil. Ao compreender esses ativos, podemos melhorar o desenvolvimento das estruturas de apoio e trazer investimentos necessários para melhorar as indústrias criativas e comunidades no país.

O Brasil se posiciona como um líder na América Latina, mas sua posição no Índice de Criatividade Global, não demonstra isso, já que está atrás do Uruguai e Argentina. Quais os desafios para o País tomar a liderança na América Latina?
De uma maneira geral, vai demorar para termos uma nova abordagem de investimento da economia. Primeiro, comunidades criativas devem ser inovadoras e impulsionadas por tecnologia. Isto significa que, muitas vezes, o governo pode ter de subsidiar um ecossistema para apoiar startups e inovação. Em segundo lugar, a economia criativa é habilidade e talento impulsionados, ou seja, temos de investir nas habilidades do nosso povo. E, finalmente, uma economia criativa deve ser tolerante, aberta e inclusiva para pessoas de todas as esferas da vida.

O Brasil está passando por um momento político extremamente instável, que tem se refletido na economia e impactado negativamente todas as atividades. Em que medida você acredita que as atividades relacionadas à economia criativa serão afetadas – já que toda a economia está sendo – ou podem ser uma vantagem nesse cenário atual e futuro?
O Brasil está passando por desafios políticos significativos neste momento, a nível nacional, no entanto, a liderança não só tem de vir do governo nacional. As cidades são os principais meios de organização econômica da nossa era, isto é, a liderança do setor privado é extremamente importante. Muitas vezes, esse tipo de liderança pode preencher o vazio criativo ocasionado pela crise política. Nós não podemos apenas olhar para o governo nacional para resolver nossos desafios da comunidade.

O Brasil demorou muito para despertar para essa nova economia? E errou ao colocar a Secretaria de Economia Criativa como parte do Ministério da Cultura e não como um eixo econômico, debaixo, por exemplo, do Ministério da Fazenda (que cuida da política econômica nacional)?
Não, o Brasil não demorou muito, no entanto, a economia criativa é mais do que apenas as artes e a cultura. A economia criativa tem de ser olhada como um motor econômico, como um fenômeno de criação de emprego, oportunidades e renda para milhares de pessoas.

Você poderia comentar sobre estes problemas abaixo que estamos enfrentando no Brasil?

A dificuldade de criar um conceito e definir o que é Economia Criativa
Parte do nosso trabalho com o Observatório será o desenvolvimento de uma definição mais forte e exata para a economia criativa no país.

• Área não formalizada
A economia informal é um desafio para os países em desenvolvimento. Há tanta criatividade na economia informal e o desafio é como torná-la parte do maior portfólio econômico do Brasil.

 O que é um modelo de cidade criativa? Você poderia dar alguns exemplos de iniciativas que transformaram cidades?

Certo. Aqui estão alguns dos meus favoritos:
Boston Innovation District: A iniciativa capitalizou forças regionais em tecnologia e parcerias públicas / privadas para transformar uma área portuária anteriormente industrial em um ecossistema para iniciantes e um hub de trabalho que funciona 24 horas por dia para os criativos. Não foi apenas um boom para negócios, mas tornou-se um laboratório urbano para a cidade: o distrito oferece oportunidades para experimentar energia limpa, alternativas de transporte inovadoras e infraestruturas sociais participativas.

Sprout Fund: enriquece a vitalidade da região de Pittsburgh, envolve os cidadãos, amplifica vozes, apoia a criatividade e a inovação, e cultiva comunidades conectadas.
O projeto é sustentado por doações de fundações e investe em ações educacionais, culturais, artes e outras iniciativas de construção da comunidade. Ele promove projetos comunitários que desenvolvem a biodiversidade e cria eventos que apoiam projetos de concepção e placemaking de comunidades inovadoras.

Free Space ou Espaço Livre. Espaço Livre é um espaço físico aberto em São Francisco que convida a comunidade a entrar e oferecer aquilo que ela tem de melhor, gratuitamente. É um lugar onde as pessoas se reúnem para criar, ensinar, aprender, inovar e experimentar com ideias que irão reduzir as barreiras de entrada, aumentar a sustentabilidade e a democracia, e capacitar as comunidades desfavorecidas e marginalizadas. O espaço já recebeu mais de 300 eventos e provocou um movimento global. Outros Espaços Livres estão sendo desenvolvidos em 26 localidades ao redor do mundo.

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