19 de setembro de 2017
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Robôs-jornalistas já são uma realidade há algum tempo

Imagem: shutterstock

A primeira atuação do Heliograf foi nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, mas o “jornalista” teve sua atuação expandida e, em setembro desde ano, o Washington Post informou que ele também irá cobrir os jogos de Ensino Médio nos Estados Unidos. No total, são mais de 850 artigos gerados pelo “robô-jornalista“.

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Em agosto de 2016, o jornal The Washington Post publicou uma nota informando que, durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, um  serviço de storytelling automatizado iria apoiar na cobertura dos jogos. “Heliograf”, nome do sistema desenvolvido pelo próprio jornal, recebeu a missão de postar no Twitter do Washington Post, na ferramenta de cobertura ao vivo e ainda estaria disponível para dispositivos com o Alexa (a interface de inteligência artificial criada pela Amazon).

O Heliograf tinha diversas vantagens: além de diminuir os erros de dados incorretos publicados, o foco dele em resultados de jogos, que tomavam tempo precioso dos jornalistas. Sem essa incumbência,  os seres humanos ficariam mais disponíveis para fazer algo que o robô do jornal não tinha como fazer – ou seja, analisar os jogos, emitir opiniões sobre os resultados, avaliar desempenho dos atletas além de seus resultados, etc.

A experiência deu certo e, ao longo do último ano, o Washington Post aprimorou o Heliograf para que ele pudesse desempenhar novas funções, como cobrir eleições, acompanhar movimentações do mercado financeiro, etc. Importante dizer que o objetivo não era criar um concorrente para os profissionais, mas aprimorar seu desempenho. Segundo o site “Digiday”, a Associated Press calcula que 20% do tempo dos jornalistas da área financeira é dedicado ao levantamento de dados de lucros corporativos, algo em que o Heliograf pode ajudar, por exemplo.

Chamadas de “robô-jornalistas” ou simplesmente “bots”, palavra mais familiar para pessoas de todas as áreas, tecnologias como o Heliograf já estão em uso em outros jornais, como o New York Times, a CNN, NBC e Yahoo News. Capaz de transformar dados em informação, o Heliograf publicou mais de 850 artigos desde que foi ativado. O site Digital Trends aponta para uma outra vantagem para esses jornais: o fim dos erros de digitação, tão fáceis de serem cometidos!

Para conferir um exemplo de notícia gerada pelo Heliograf, clique aqui.

Claro, o Heliograf precisa de ajuda de humanos até para coletar dados. Para cobrir os jogos do Ensino Médio, o Washingon Post pede que os treinadores e times entrem em contato para que possam enviar seus dados para o Heliograf. A intenção é que a tecnologia também gere artigos sobre atletas e times específicos, com expansão de modalidades de esporte previstas para 2018.

Se parece pouco, vale lembrar que os jogos de Ensino Médio dos Estados Unidos são importantes porque muitas universidades oferecem bolsas para jovens atletas com bom desempenho e os Jogos Universitários têm até espaço próprio em canais como ESPN.

Será que você saberia identificar uma notícia gerada por um “bot”?

Para se aprofundar no assunto:

Digital trends: aqui e aqui

The Washington Post: aqui e aqui

Digiday: aqui