18 de novembro de 2016
Seja o primeiro a comentar

O que aprendemos com o São Paulo Fashion Week transicional?

Backstage Lolitta

Backstage Lolitta. Foto: Lucca Vogel

Em novembro, faz frio em São Paulo e calor em Paris. Será que as estações do ano estão perdendo valor? Na moda, com certeza sim. Paradigmas de décadas estão sendo quebrados na velocidade dos feeds das redes sociais.

Em um passo ousado e estratégico, Paulo Borges eliminou as estações da nossa principal semana de moda, oferecendo aos estilistas a possibilidade de comunicar moda de maneira individual e independente.

“Foi uma iniciativa dos designers. É importante pensar que o mercado brasileiro está focado no mercado nacional. As decisões são muito originais. O modelo de negócio também é diferente”, disse Paulo Borges.

A temporada foi realmente única. Reinaldo Lourenço desfilou Inverno 2017 com lançamento previsto para o ano que vem, Lilly Sarti desfilou Resort 2017 com vendas imediatas no seu e-commerce, Lolitta levou uma coleção de moda fitness para a passarela em parceria com a Memo e Herchcovitch foi ainda mais longe: “Eu desfilei vestidos de verão e parkas de inverno, tudo junto. Não existem mais regras”, disse o estilista, que abriu a loja À La Garçonne com a coleção do SPFW logo após o desfile

Independente das regras, foi um passo importante para o mercado nacional reagir à crise, apelando para o imediatismo. “As marcas nunca têm tanta visibilidade quanto durante a semana da moda. Então é simples. Cada vez menos pessoas estão procurando o anúncio da revista para comprar. As revistas dão status, mas na Internet, todo mundo tem o mesmo status. As marcas têm de aproveitar o excesso de informações on-line para vender”, acrescentou Borges.

As marcas parecem satisfeitas e o efeito dos desfiles ‘see now, buy now’ foram sentidas imediatamente. As jaquetas militares com estampas pintadas à mão da À La Garçonne foram hit entre os editores de moda durante a temporada, assim como os moletons da marca estreante Just Kids, de Karen Fuke e Juliana Jabour.

“Eu vendi tudo!”, disse a estilista Lolita Hannud sobre sua coleção desfilada na livraria Cultura do Shopping Iguatemi, no mesmo andar da sua loja, onde as clientes foram diretamente após o desfile.

Com uma operação muito maior, a marca carioca Animale pulou a temporada passada e tomou oito meses para se adaptar ao novo calendário. Suas vendas após o desfile aumentaram 25%, segundo entrevista que a Vice Presidente de Estilo, Claudia Jatahy, concedeu à jornalista Maria Prata no programa Conta Corrente, do Globo News.

Em conclusão, foi uma sacada brilhante de Borges, que tornou o formato do SPFW interessante para os estilistas novamente.

“Na realidade, ninguém sabe ainda o que vai acontecer. O mais importante é que as regras não prevalecem mais. A idéia foi abrir as portas e deixar cada marca decidir o que fazer”.

Jorge Grimberg

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *