27 de outubro de 2016
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Em Paris, inovação domina o calendário de moda

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voguerunway.com

Com o passar das décadas, Paris consegue manter o seu posto de berço da moda global. No início do século XX, Paris fervia com a expansão de nomes como Chanel, Dior e Balenciaga, que ultrapassaram a virada do milênio e seguem sendo os nomes mais relevantes da moda no século XXI, agora com criadores contemporâneos, porém com o mesmo DNA e códigos universais que consagraram essas casas de moda há um século.

Existe um campo magnético nas ruas de Paris para o surgimento do novo. Se em Londres, os estilistas são experimentais e em Milão, o perfume do luxo ainda permeia nas casas que foram consagradas no final do século XX, como Prada e Versace, em Paris, os nomes antigos se misturam com os novos para desenhar os futuros. Os japoneses se misturam com italianos e espanhóis, formando uma liga imbatível com o melhor do planeta.

Temos, por exemplo J.W. Anderson, o estilista inglês no comando da casa espanhola Loewe. A cada temporada, Anderson cria desconforto com sua cartela de cores descombinada e suas formas de difícil compreensão. A marca, que pertence ao conglomerado LVMH, era pouco expressiva antes da entrada de Anderson. Conhecida pela qualidade de seus couros e um luxo mais severo, Anderson reformulou o DNA da Loewe, desenvolvendo peças exclusivas para um consumidor que busca algo completamente diferente, com qualidade extrema e aprecio ao design. Seu estilo, que à princípio era muito mais conceitual que comercial, se adequou aos novos tempos, ou melhor, os novos tempos se adequaram à ele. No momento em que Paris foi tomada pela moda irreverente de Demna Gvsalia e uma legião nova de designers que estão dando um significado novo à palavra luxo no universo da moda, J.W. estava em casa.

O celebrado Gvsalia tornou-se o rei da moda parisiense em velocidade máxima. Original de Georgia, o país que pertencia à União Soviética e não o estado Norte Americano, o estilista que há dois anos apresentou o seu primeiro desfile com a marca Vetements em Paris, teve uma ascensão meteórica e assumiu o posto de diretor criativo da Balenciaga há duas temporadas. Eleito o desfile mais relevante da estação por quase todos os críticos de moda que importam, a Balenciaga de 2017 apresenta um estilo disruptivo, buscando nas ruas a inspiração para recriar a moda contemporânea. Em peças como uma sacola de feira que se torna um acessório de luxo ou no uso de materiais como spandex, um tecido sintético com stretch que foi criado na década de 50, Gvsalia brilha. Ombreiras gigantes e modelagens futuristas dão um ar de inovação que impressiona os aficionados por moda, sedentos pela novidade. Impressiona pois quando achamos que tudo já foi criado, vemos um estilo tão novo e diferente que assusta e ao mesmo tempo atrai. Faz nossas roupas parecerem do século passado.

Nesse movimento está o (quase) imortal Karl Lagerfeld, que à frente da Chanel consegue criar esse mesmo ar de inovação, predominante em Paris. Olhando para frente, Lagerfeld desenhou um futuro em cor-de-rosa. Com um cenário chamado #ChanelDataCenter, o desfile de primavera verão 2017 leva a maison francesa para um novo milênio, o terceiro, no caso. O octogenário Lagerfeld se atualiza na velocidade da luz e propõe o futuro da moda com uma sagacidade impressionante.

Ainda em Paris, a dança de cadeiras predomina com novos estilistas estreando em grandes marcas. Na mesma temporada Dior, Lanvin, Saint Laurent e Valentino tiveram novos nomes no comando das coleções. Na Dior, Maria Grazia Chiuri teve a difícil tarefa de substituir Raf Simons. Com um desfile que foi um protesto feminista. Camisetas com frases de efeito se misturaram à vestidos lúdicos e elementos de street style. Uma verdadeira revolução, ou uma Dio(r)evolution, como denominou Maria Grazia.

 

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