23 de maio de 2018
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Design de Games: entenda o curso da Belas Artes

Imagem: shutterstock

Uma das novidades do Vestibular da Belas Artes é o curso de Design de Games. Para entender melhor sobre essa novidade, o Observatório conversou com o coordenador, Prof. Jorge Avelar.  

1) Cursos tecnólogos de Design de Games, com apenas dois anos de duração, já existem. Por que a Belas Artes optou por um curso de bacharelado?
Atualmente, os cursos de games de tecnologia são predominância. O problema é que, atualmente, um videogame não é apenas criado com sistemas tecnológicos e meramente programação. Para se ter uma ideia, na década de 80, o cargo mais importante de projetista numa empresa de jogos era o Game Enginner. Hoje este cargo foi substituído por Game Designer. Observa-se que há muitas lacunas numa formação curta para uma área que envolve grande complexidade e que se assemelha a cursos multidisciplinares como Design de produto e Arquitetura. Devemos lembrar que a produção de jogos exige o desenvolvimento de 3 eixos: a produção artística, o mecanismo do jogo (também denominado Game Design) e a produção técnica (que envolve programação em níveis de alta complexidade). Ensinar competências e desenvolver projetos num período muito curto se mostra às vezes ineficiente, pois sua curta duração pode ser um fator que impede a total maturação de um processo, que idealmente exige o período de bacharelado. Assim, acreditamos oferecer aos alunos uma opção mais completa e adequada aos desafios que a área impõe.

2) A tradição no ensino de artes influencia o curso de Design de Games na Belas Artes? Haverá um foco maior na parte estética da criação ou haverá um equilíbrio entre estética e desenvolvimento (tecnologia/programação)?
Sim, a grade do curso possui grande destaque nessa área, mas também a própria estrutura de design contribui com isso. O Núcleo Design demonstra um pouco a mentalidade que permeia os cursos e que será presente no curso: do projeto centrado no usuário, em que o designer une arte e técnica.
Um designer, como um engenheiro, é um “solucionador” de problemas.
A diferença é que engenheiros focam nas questões técnicas, desenvolvem soluções técnicas que eventualmente podem ser úteis para as pessoas (por vezes devendo ser adaptados para este intuito). Já designers observam pessoas e comunidades, procuram entender suas dificuldades, necessidades, anseios e desejos. Buscam assim solução para estes problemas e naturalmente utilizam para isto recursos técnicos. Acreditamos que algo análogo acontece no Design de Games e o nosso aluno precisa aprender as questões da engenharia do produto que ele criará. Junto a isso, deve dominar as competências artísticas para tornar seu jogo, uma obra narrativa, algo envolvente para seu usuário.

3) A Belas Artes é uma faculdade totalmente voltada para a Economia Criativa. Como está o mercado para desenvolvedores de games atualmente e quais os principais impactos positivos dele no contexto global da Economia Criativa?
O mercado de games é um desdobramento da área de desenvolvimento digital, impulsionada pela internet. Esse mercado poderá gerar impacto similar ao gerado pela internet na virada do milênio. Do ponto de vista positivo, no contexto de economia criativa, podemos dizer que existem muitas oportunidades para desenvolvedores independentes no Brasil e no mundo, com desenvolvedores nacionais podendo gerar conteúdo para consumo local e global. Estes profissionais também não ficam restritos ao mercado de jogos: um designer de games pode trabalhar com produção de conteúdo lúdico e interativo para várias finalidades: desde jogos educativos a simuladores e jogos para treinamento corporativo, peças interativas e de realidade virtual para publicidade e empresas de mídia, brinquedos etc. Isto aumenta em muito a absorção e desenvolvimento deste profissional no mercado.

4) Quais são os destaques da matriz curricular do curso de Design de Games na Belas Artes? Por quê?
Os destaques da Matriz são as disciplinas que compõem os 3 eixos para a produção de um Jogo: produção artística , mecânica de jogos (game design) e desenvolvimento técnico, e que estarão presentes do 1º ao último semestre.
Na produção artística, podemos colocar o quarto semestre como momento culminant, em que o aluno constrói todos os elementos de uma narrativa, incluindo personagens e animação 3D. O desenvolvimento técnico é todo pautado no uso de Engines de Jogos (Unity) que o aluno usará desde o 1º semestre para a produção de Realidade Virtual. No Game Design, ele irá elaborar mecânicas de jogos que sejam desafiadoras e instigantes para os usuários, aprendendo e experimentando recursos que envolvem a narrativa e as soluções técnicas numa complexidade crescente até o TCC. Vale também explicar que a cada semestre haverá o desenvolvimento de projetos que vão usar competências desenvolvidas nas disciplinas, assim o aluno começa a fazer em grupo ambientes imersivos de realidade virtual nos primeiros semestres, colocando personagens e objetos nos próximos, criando veículos e outros recursos e finalizando com o desenvolvimento de joysticks especiais para realidade virtual e outros dispositivos interativos. Isto tudo com base em metodologia projetual como Design Thinking e Scrum.

5) Qual a diferença entre o curso de Desenho de Animação e o curso de Design de Games? Como um candidato pode/deve decidir-se por um ou outro?
O curso de Desenho de Animação se restringe a criação de narrativas. Já o curso de Design de Games aborda a narrativa interativa. Em animação, temos um perfil de maior predominância artistíca, em games este aluno precisa ter mais interesse por elementos técnicos. O formado no curso de Desenho de Animação pode concluir o bacharelado em Design de Games, pois muitas disciplinas poderão ser eliminadas.

6) Games de celulares estão ganhando muito espaço e há até resgate de antigos games, como Mario Bros, que foram adaptados para a plataforma mobile. Porém, estudos mostram que somente 1% dos desenvolvedores de apps conseguem viver da sua criação. Como o curso pode aumentar as chances de sucesso de um aluno nesse mercado tão competitivo?
Nosso curso é de criação de jogos. A Unity é capaz de verter um projeto para 24 plataformas diferentes incluindo celulares. Assim, além das questões conceituais extrapolarem as plataformas, gerando uma mente com flexibilidade num mercado volátil, o próprio sistema técnico garante este processo dinâmico com resposta rápida às demandas. É sabido que hoje jogos para smartphones possuem boa aceitação de mercado, mas os nossos alunos deverão se preparar para todos os desafios dentro da área, como por exemplo a da realidade Virtual, que possui uma demanda imediata e futura promissora.

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