26 de julho de 2017
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Análise: O futuro do varejo

Divulgação

Exposição da Balenciaga na loja Colette de Paris: início do fim (fonte: Facebook)

Com o avanço do comercio online e mudanças políticas ao redor do mundo, essa reportagem analisa o futuro das lojas de rua e shoppings no Brasil e no mundo

O universo da moda entrou em colapso com o anúncio do fechamento da loja Colette, em Paris, no início de Julho. “Como todas as coisas boas devem terminar, depois de 20 anos maravilhosos, a Colette irá encerrar suas atividades no dia 20 de dezembro deste ano”, afirmou a empresa em comunicado oficial para a imprensa. “Colette Roussaux chegou ao momento em que ela gostaria de tomar o seu tempo, e Colette não pode existir sem Colette”.

Em um mundo onde empresas de sucesso no mercado de luxo são vendidas e incorporadas por uma nova visão criativa, o fechamento da Colette levantou diversos questionamentos sobre o papel das lojas e até da moda nos dias de hoje. Percursora no formato de loja-conceito, com curadoria de produtos, a boutique parisiense apresenta itens diversos – desde livros e acessórios para casa até peças de grandes estilistas do mercado de luxo – por vinte anos no mesmo endereço. O olhar de Colette sai de cena e a loja deixará de existir.

Em contrapartida, uma reportagem do portal inglês Business of Fashion ressaltou a volta das lojas independentes, como uma solução à homogenização dos espaços de varejo que vem tomando forma nos últimos anos. Nas grandes lojas de departamento das capitais dos EUA e Europa, a oferta de produtos passou a ser cada vez mais similar, tornando a compra de moda quase obsoleta, no sentido de que peças raras e excusivas foram se tornando mais comuns em lojas pequenas do que grandes. O consumidor de luxo foi buscar em lojas com um dono e seu olhar, como o caso de Colette, escolhas mais personalizadas. O artigo cita cases de sucesso, como a Webster em Miami e Ikram em Chicago, como exemplos de lojas independentes que estão ganhando força através de seus formatos únicos e oferta singular.

No Brasil, vivemos um momento diferente e difícil. Mais de 100 mil lojas de rua fecharam desde 2014 e, ao mesmo tempo, grandes varejistas como Riachuelo e Renner apresentam expansão. Ainda sem uma direção sólida para a recuperação econômica, o brasileiro optou por comprar em marcas reconhecidas, a preços baixos, peças para o dia-a-dia, com as facilidades que o nosso fast-fashion oferece. Já, o mercado de luxo deu uma estagnada e segurou investimentos, diminuindo o ritmo de expansão, porém mantendo seus pontos de venda por aqui nos shoppings de luxo nas capitais do país.

Lojas de curadoria seguem pipocando por aqui, como é o caso da Pair, recém aberta no bairro dos Jardins em São Paulo. Com um olhar delicado e vanguardista, a loja-conceito comandada por Carla de Lima Ribeiro é especializada em peças em preto e branco. Nas araras, peças de marcas nacionais – como a carioca Handred e do estilista João Pimenta – se misturam em uma exposição sem gênero, oferecendo uma nova leitura para o varejo de moda.

Já estilistas de moda feminina focadas no universo do luxo, como a paulistana Giuliana Romanno, encontraram sucesso em eventos pequenos na loja oferecidos para clientes, além de apresentações de desfiles em ambientes intimistas, que revelam o estilo de vida da marca.

Se no Brasil o varejo ainda luta para sobreviver e novos formatos são testados, no mundo também existe mudanças. Os grandes grupos de luxo dominam a cena com investimentos grandiosos em marketing e domínio dos grandes endereços. Esse cenário abriu espaço para empreendedores garimparem peças exclusivas e oferecerem aos clientes um ar de novidade e excitação, diferente das ofertas similares dos grandes players. Hoje o consumidor que pertencer e com a nossa vida cada vez mais digital as lojas reais tem o espaço de unir pessoas por gostos e afinidades, oferecendo mais do que produtos, e sim um estilo de vida. Independente do país, a tendência para os espaços físicos parece ser a mesma: incluir e engajar.

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